Desigualdade ameaça oportunidades de educação de milhões de crianças
Planos de país pobre esquecem igualdade, revela estudo do PNUD
Os coordenadores do GT-2 do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) apresentaram ontem (28/10) no Ipea, em Brasília, um relatório sobre as mudanças climáticas que ocorrem no mundo e alertaram que o corte nas reduções de carbono são urgentes. Pela manhã, houve uma coletiva para a imprensa. Durante a tarde, os cientistas fizeram uma apresentação aberta ao público no auditório do Ipea.
Segundo o coordenador do GT-2, Martin Parry, cientista inglês membro do IPCC, a redução global precisa ser de 80% das emissões de carbono até 2015. “Precisamos de uma redução drástica no nível de emissão de gases prejudiciais à camada de ozônio”, apontou Parry. O Grupo de Trabalho nº 2 foi o responsável pelo relatório sobre impactos, adaptação e vulnerabilidades ao aquecimento global.
Parry alertou que mesmo que as emissões acabassem hoje, o planeta continuaria aquecendo, mas as conseqüências seriam mais facilmente absorvidas, com acréscimo menor que 2 ºC na temperatura. No entanto, com a manutenção das emissões de gases de efeito estufa, o aumento da temperatura do globo pode chegar a 4 ºC até o final do século.
“Em resumo, tenho dois recados sérios: precisamos reduzir muito as emissões e precisamos reduzir já”, disse Parry. Um atraso de 10 anos em tomar qualquer medida já resultará no aumento de 0,5 ºC da temperatura média terrestre.
Parry alertou que, no pior cenário – o de aumento de 4 ºC da temperatura global -, 45% das espécies vegetais amazônicas não vão resistir e serão extintas. Haverá queda na produção de grãos e risco do aumento da desnutrição, doenças infecciosas e problemas cardiorrespiratórios.
Para o pesquisador brasileiro Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o Brasil pode contribuir com essa meta ao acabar com os desmatamentos. “Hoje o desmatamento é responsável por 55% das nossas emissões de gases de efeito estufa”, disse Nobre.
De acordo com o pesquisador, a agricultura é a segunda maior atividade responsável pelas emissões de gases na atmosfera. Ela representa 25% dessas liberações. Os 20% restantes estão ligados ao tratamento de resíduos e a atividades nos setores de energia e indústria.
“Se o Brasil atingisse a meta do desmatamento ilegal zero, reduziríamos de 70% a 80% o desmatamento”, ressaltou Nobre.
Nobre alertou ainda que, se nada for feito, o aquecimento global vai transformar boa parte da Amazônia em savanas, áreas secas do país ficarão ainda mais secas, com desertificação no Nordeste, e as chuvas serão mais concentradas e muito mais fortes.
“Várias regiões podem ficar mais secas, o Brasil central tem a tendência de ter menos água para agricultura. Então agricultura irrigada será uma necessidade para vários tipos de cultura. De modo geral, a agricultura e a produção de alimentos vão ter que se adaptar mais rapidamente do que a agricultura de produção de biocombustíveis, como no caso da cana de açúcar, que é uma gramínea muito mais resistente a climas mais quentes”, explica. Além disso, de acordo com Nobre, as cidades litorâneas vão sofrer com a subida do nível do mar, que, no cenário mais pessimista, pode chegar a um metro.
“Na agricultura, sentiremos os impactos mais fortes. Em 50 anos, por exemplo, estaremos importando café da Argentina, e Santa Catarina não vai mais produzir maçã. O cerrado pode ficar concentrado apenas no sul do Mato Grosso do Sul”, finaliza.
Fonte: Ipea
