Deputados cariocas citam “vingança mesquinha” de Arthur Lira. Glauber Braga anunciou greve de fome após aprovação do relatório que recomenda a cassação
Manifestações de apoio ao deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) marcaram reunião do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados nesta tarde, 9/4. O conselho aprovou, por 13 votos a 5, parecer recomendando a cassação de Glauber, que anunciou greve de fome e afirma que não deixará a Câmara até a conclusão do processo.
“Esperamos que essa situação seja revertida aqui mesmo na terça-feira. Quem participou viu o desrespeito às normas do próprio Conselho”, afirma a deputada Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ). O prazo para apresentação de recurso à Comissão de Constituição e Justiça é de cinco dias. Caso o processo tenha seguimento, serão necessários votos de 257 deputados (maioria absoluta) para a cassação.
Para deputados cariocas do campo progressista, o caso é uma “vingança mesquinha” do presidente da Câmara, Arthur Lira, e um “atentado à Democracia”. Glauber Braga é acusado pelo Partido Novo de quebra de decoro, após se envolver em bate-boca com integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), terminando em empurrões e agressão física. Desde 2021, ele tem embates públicos com Lira.
Organizações e movimentos sociais impedidos de entrar no plenário realizaram ato em defesa do mandato de Glauber Braga, no salão verde da Câmara. Dentro do plenário, militantes e aliados se manifestavam em defesa do mandato. “O clamor por GlauberFica foi ouvido hoje na Câmara Federal de maneira muito enfática. Glauber precisa ficar em nome da democracia. Lutaremos até o fim”, afirmou o deputado Reimont (PT-RJ), momentos antes da votação.
“Estamos atuando politicamente de todas as formas para impedir a cassação do deputado Glauber no Conselho de Ética”, reforçou o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). “O mandato do Glauber é um mandato combativo, comprometido com as causas sociais e dos trabalhadores. Sua cassação seria uma violência contra a democracia e esquerda brasileira”, avaliou.
Para o deputado Tarcísio (PSOL – RJ), a tentativa de cassação é “um atentado contra a democracia e uma demonstração covarde de poder do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira”. “Lira usa um episódio provocado por um membro do MBL interessado em ganhar fama e likes, para se vingar daquele parlamentar que sempre denunciou esquemas de corrupção e conluios dos poderosos de sempre. A defesa do mandato do Glauber é a defesa da democracia e sua possível cassação um absurdo sem tamanho”, afirmou.
A deputada Enfermeira Rejane (PCdoB – RJ) ressaltou que a trajetória de Glauber “é marcada pela defesa dos direitos sociais, ambientais e trabalhistas, além da luta contra a corrupção e privilégios”. “Não podemos aceitar que uma voz combativa, que sempre esteve ao lado do povo, seja silenciada! Seguimos firmes na luta pela justiça e pela democracia”, defendeu.
A deputada Jandira Feghali (PcdoB – RJ) lembrou que o deputado reagiu a uma provocação. “Tentam cassá-lo por reagir a uma agressão covarde contra sua mãe — mas os verdadeiros criminosos, que nos perseguem, nos ameaçam e tentam destruir um mandato popular, seguem impunes. Não aceitaremos esse escárnio! Cassar Glauber é premiar o ódio e atacar a democracia”, afirmou.
Para o presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), Carlos Fidelis, a tentativa de cassação é “ofensa à justiça e às instituições da democracia”, desviando atenção para grandes questões nacionais. “Essa forma de fazer política desrespeita a sociedade, que espera que o Congresso volte o seu olhar para as grandes questões nacionais e deixe de ser palco para essa gente que cultiva a hipocrisia, a mentira e espetáculos histriônicos”, afirmou Fidelis.
O deputado relator, Paulo Magalhães (PSD-BA), que recomendou a cassação de Glauber, tem histórico de agressão a jornalista na Câmara dos Deputados. O presidente da Câmara, Arthur Lira, é acusado pela ex-mulher de violência doméstica.
Reportagem: Cebes/Clara Fagundes












